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Heresias, Heterodoxias e Práticas Extrabíblicas do Adventismo do Sétimo Dia

Heresias e Heterodoxias do Adventismo do Sétimo Dia

HERESIAS E HETERODOXIAS DO ADVENTISMO DO SÉTIMO DIA À LUZ DA ORTODOXIA EVANGÉLICA HISTÓRICA

Introdução

A Igreja Adventista do Sétimo Dia compartilha com o cristianismo evangélico histórico diversas doutrinas fundamentais: a Trindade, a plena divindade de Jesus Cristo, sua encarnação, morte substitutiva, ressurreição corporal e segunda vinda. Sua formulação oficial também afirma que a salvação é recebida pela graça mediante a fé e que Cristo viveu sem pecado.[1]

Portanto, uma análise apologética séria não deve atribuir à denominação doutrinas que ela oficialmente rejeita.

Entretanto, a Igreja Adventista do Sétimo Dia mantém outras doutrinas particulares que não integram o consenso histórico do protestantismo evangélico e que têm sido classificadas, dependendo do autor, como heterodoxas, antibíblicas ou, em avaliações mais severas, heréticas.

É importante fazer essa distinção. Tecnicamente, “heresia” costuma designar a negação de uma verdade essencial da fé cristã, enquanto “heterodoxia” pode designar um ensino considerado contrário à interpretação histórica majoritária da Igreja sem necessariamente significar que todo aquele que o sustenta esteja fora do cristianismo.

Essa distinção aparece na própria história da avaliação evangélica do adventismo.

O teólogo reformado Anthony A. Hoekema, professor de Teologia Sistemática no Calvin Theological Seminary e autor de The Four Major Cults, classificou o adventismo entre os grandes movimentos sectários cristãos, apontando especialmente para o juízo investigativo, a autoridade atribuída a Ellen G. White e a doutrina do remanescente.[2]

Já o apologista batista Walter R. Martin, após estudar extensivamente a denominação e participar do debate surgido das conferências entre adventistas e evangélicos ocorridas entre 1955 e 1956, chegou a uma conclusão menos severa. Martin considerava possível que um adventista fosse um verdadeiro cristão, embora sustentasse aquilo que chamou de “conceitos heterodoxos”.[3]

Donald Grey Barnhouse, então editor da revista Eternity, chegou igualmente à conclusão de que os adventistas não deveriam ser simplesmente equiparados a movimentos como as Testemunhas de Jeová, embora permanecesse profundamente crítico de várias de suas doutrinas distintivas.[4]

Portanto, o objetivo deste estudo não é determinar individualmente quem é ou não salvo dentro da Igreja Adventista, mas examinar determinadas doutrinas oficiais ou historicamente relevantes do sistema adventista à luz das Escrituras e da ortodoxia evangélica histórica.


1. O JUÍZO INVESTIGATIVO E A DATA DE 1844

1.1. O ensino oficial adventista

A crença fundamental nº 24 da Igreja Adventista do Sétimo Dia, intitulada “O Ministério de Cristo no Santuário Celestial”, afirma que Cristo iniciou seu ministério sacerdotal celestial após sua ascensão, mas que, em 1844, teria iniciado uma segunda e última fase de seu ministério.

O documento oficial declara:

“Em 1844, no fim do período profético dos 2.300 dias, Ele entrou na segunda e última fase de Seu ministério expiatório.”

Essa fase é apresentada como uma obra de juízo investigativo, na qual se manifesta quais pessoas entre os professos seguidores de Deus permanecem em Cristo e estão preparadas para receber o Reino.[5]

Portanto, a doutrina do juízo investigativo e a data de 1844 não são apenas posições de alguns autores adventistas antigos. Elas continuam integrando oficialmente as Crenças Fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia.


1.2. A origem histórica de 1844

A origem dessa doutrina está diretamente relacionada ao movimento liderado pelo pregador batista William Miller.

Miller interpretou as “2.300 tardes e manhãs” de Daniel 8:14 segundo o chamado princípio “dia-ano”. Partindo do ano 457 a.C., concluiu que o período profético terminaria aproximadamente em 1843–1844.

Seus seguidores passaram posteriormente a esperar a segunda vinda de Cristo para 22 de outubro de 1844.

Cristo não retornou.

O acontecimento tornou-se historicamente conhecido como o Grande Desapontamento (Great Disappointment), denominação utilizada inclusive pela historiografia adventista.[6]

Após o fracasso da previsão, Hiram Edson, um dos participantes do movimento milerita, afirmou ter compreendido que o erro não estaria na data, mas no evento esperado.

Segundo seu relato posterior, Cristo não teria vindo do céu para a Terra em 22 de outubro de 1844; em vez disso, teria passado do primeiro para o segundo compartimento do santuário celestial.

A própria Encyclopedia of Seventh-day Adventists registra o relato de Edson segundo o qual ele teria percebido que Cristo, naquele dia, entrara no segundo compartimento do santuário celestial.[7]

Posteriormente, Owen Russell Loomis Crosier procurou desenvolver uma fundamentação bíblico-teológica para essa interpretação.

Ellen G. White incorporaria esse entendimento ao sistema adventista.

Em O Grande Conflito, ela escreveu que Cristo entrou no lugar santíssimo celestial no fim dos 2.300 dias para realizar uma obra que antecederia sua segunda vinda.[8]


1.3. O problema exegético de Daniel 8:14

Daniel 8 apresenta uma sequência histórica bastante definida:

  • o carneiro representa a Medo-Pérsia (Dn 8:20);
  • o bode representa a Grécia (Dn 8:21);
  • quatro chifres surgem após o grande chifre;
  • posteriormente surge um “pequeno chifre”;
  • esse poder interfere no sacrifício contínuo;
  • profana o santuário;
  • e, depois das “2.300 tardes e manhãs”, o santuário é restaurado.

O contexto imediato da passagem está relacionado à profanação de um santuário e à interrupção de seus sacrifícios.

Muitos intérpretes cristãos conservadores relacionam o cumprimento histórico mais imediato da passagem à perseguição realizada pelo governante selêucida Antíoco IV Epifânio, especialmente à profanação do templo de Jerusalém no século II a.C. e à posterior restauração do culto judaico durante o período dos macabeus.[9]

Além disso, a expressão hebraica de Daniel 8:14 corresponde literalmente a “duas mil e trezentas tardes e manhãs”.

O texto não afirma que sejam “2.300 anos”.

A utilização de Números 14:34 e Ezequiel 4:6 como estabelecimento de uma regra universal segundo a qual um dia profético sempre corresponde a um ano literal também é questionável.

Em Números 14, o próprio Deus determina especificamente:

“Segundo o número dos dias em que espiastes a terra, quarenta dias, cada dia representando um ano...”

(Nm 14:34)

Em Ezequiel 4:6, Deus igualmente estabelece explicitamente a correspondência:

“Um dia te dei por cada ano.”

Ou seja, em ambos os casos, a equivalência é estabelecida pelo próprio texto.

Daniel 8:14 não contém semelhante declaração.

Anthony Hoekema observou ainda que o sistema do juízo investigativo não encontra paralelo significativo na interpretação cristã dos séculos anteriores ao movimento adventista e está historicamente ligado à necessidade de reinterpretar o fracasso da expectativa milerita de 1844.[10]


2. A SUFICIÊNCIA DA EXPIAÇÃO REALIZADA POR CRISTO

O problema teológico central do juízo investigativo está relacionado à maneira como se compreende a obra expiatória de Cristo.

Na cruz, Jesus declarou:

“Está consumado.”

(João 19:30)

A expressão grega é:

τετέλεσται — tetélestai

Trata-se da forma perfeita do verbo teleō, indicando algo levado ao seu cumprimento ou consumação.

O autor de Hebreus insiste repetidamente na natureza definitiva da obra sacerdotal de Cristo:

“Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção.”

(Hebreus 9:12)

E:

“Cristo não entrou em santuário feito por mãos [...] porém no próprio céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus.”

(Hebreus 9:24)

Mais adiante:

“Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus.”

(Hebreus 10:12)

E novamente:

“Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados.”

(Hebreus 10:14)

A Confissão de Fé de Westminster, importante expressão histórica da teologia reformada, declara que Cristo, por sua perfeita obediência e sacrifício de si mesmo, oferecido uma única vez, satisfez plenamente a justiça do Pai e adquiriu reconciliação e herança eterna para aqueles que lhe foram dados.[11]

Isso não significa negar o ministério atual de intercessão de Cristo.

Hebreus 7:25 declara que Cristo:

“vive sempre para interceder por eles.”

Romanos 8:34 igualmente afirma que Cristo está à direita de Deus e intercede por nós.

A divergência está em afirmar uma nova fase expiatória iniciada em 1844, algo que o Novo Testamento não estabelece.


3. O SÁBADO COMO SELO DE DEUS E O DOMINGO COMO MARCA DA BESTA

3.1. O ensino de Ellen G. White

Ellen G. White relacionou diretamente o sábado ao selo de Deus no conflito escatológico final.

Em O Grande Conflito, escreveu que, quando a observância dominical fosse imposta por lei e a humanidade estivesse esclarecida acerca da obrigação sabática, aqueles que escolhessem o domingo em oposição ao sábado receberiam a marca da besta.[12]

Em outra passagem, afirma:

“O sábado é o sinal de Deus; é o selo de Sua lei.”[13]

Segundo esse sistema escatológico, o sábado assumiria, portanto, função muito maior que simplesmente a de um dia de culto.

Tornar-se-ia um teste final de lealdade.

A crença fundamental nº 20 da IASD possui hoje uma redação mais moderada, porém continua descrevendo o sábado como sinal da aliança, sinal de santificação e expressão especial da lealdade do crente a Deus.[14]


3.2. O selo do crente no Novo Testamento

O Novo Testamento identifica explicitamente aquilo com que o cristão é selado:

“Tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa.”

(Efésios 1:13)

Paulo repete:

“E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.”

(Efésios 4:30)

Também:

“Aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração.”

(2 Coríntios 1:21-22)

O selo explicitamente identificado no Novo Testamento é, portanto, o Espírito Santo.

Não existe passagem neotestamentária que declare:

“O sábado será o selo escatológico dos salvos.”

Muito menos:

“O domingo será a marca da besta.”


4. O DOMINGO CRISTÃO NÃO SURGIU COM CONSTANTINO

Uma alegação frequente em círculos adventistas populares é que a adoração dominical teria sido introduzida no cristianismo por Roma ou pelo imperador Constantino.

A documentação histórica demonstra que essa explicação é insustentável.

Séculos antes de Constantino, cristãos já registravam sua reunião no primeiro dia da semana.

4.1. Inácio de Antioquia

Inácio de Antioquia, bispo cristão martirizado aproximadamente no início do século II, escreveu aos cristãos de Magnésia fazendo referência à vida cristã relacionada ao Dia do Senhor, em contraste com a antiga observância judaica.[15]

Isso ocorreu aproximadamente dois séculos antes de Constantino.


4.2. A Didaquê

A Didaquê, um dos documentos cristãos extrabíblicos mais antigos conhecidos, afirma:

“No Dia do Senhor, reuni-vos, parti o pão e dai graças...”

A instrução aparece no capítulo 14 da obra.[16]

Sua composição é normalmente situada entre o final do século I e o início do século II.


4.3. Justino Mártir

Por volta de meados do século II, Justino Mártir, em sua Primeira Apologia, capítulo 67, fornece uma descrição detalhada do culto cristão.

Ele registra que:

  • os cristãos se reuniam no domingo;
  • eram lidos os escritos dos apóstolos e dos profetas;
  • havia exposição da Palavra;
  • eram feitas orações;
  • celebrava-se a Eucaristia/Ceia;
  • eram recolhidas ofertas para necessitados.

Justino explica ainda que os cristãos se reuniam nesse dia por estar relacionado tanto à criação quanto à ressurreição de Cristo.[17]

Justino escreveu cerca de 150 anos antes do Concílio de Niceia e quase dois séculos antes da legislação dominical de Constantino.

Portanto, pode-se discutir teologicamente a relação entre sábado e domingo, mas não se pode historicamente sustentar que o culto cristão dominical foi simplesmente inventado pelo imperador Constantino no século IV.


5. ELLEN G. WHITE COMO PROFETISA E AUTORIDADE RELIGIOSA

A crença fundamental nº 18 da IASD afirma oficialmente que o dom profético foi manifestado no ministério de Ellen G. White.

O documento declara que:

“Seus escritos falam com autoridade profética e proporcionam conforto, orientação, instrução e correção à igreja.”

A própria crença acrescenta que a Bíblia continua sendo o padrão pelo qual todos os ensinos e experiências devem ser testados.[18]

Essa segunda afirmação deve ser reconhecida.

A IASD não declara oficialmente os escritos de Ellen White como parte do cânon bíblico.

Entretanto, permanece uma questão teológica importante: seus escritos recebem oficialmente “autoridade profética”, e seu ministério é relacionado à identidade escatológica do movimento adventista.

A tradição protestante histórica adotou uma posição muito mais restritiva quanto à autoridade normativa.

A Confissão de Fé de Westminster, em seu primeiro capítulo, ensina a suficiência das Escrituras e declara que todo o conselho de Deus necessário à fé, salvação e vida está contido expressamente ou por boa e necessária consequência nas Escrituras.[19]

O Pacto de Lausanne, uma das declarações mais importantes do evangelicalismo contemporâneo, afirma a inspiração, veracidade e autoridade das Escrituras e as reconhece como a única Palavra escrita de Deus e regra infalível de fé e prática.[20]

Mesmo as Assembleias de Deus, que são continuístas e creem na atualidade dos dons espirituais, afirmam oficialmente:

“A Bíblia é nossa regra totalmente suficiente de fé e prática.”

E definem as Escrituras como regra infalível e autoritativa de fé e conduta.[21]

Isso demonstra que a crítica à autoridade profética de Ellen White não depende necessariamente do cessacionismo.

Um cristão pode acreditar na possibilidade contemporânea do dom de profecia e, simultaneamente, rejeitar que escritos produzidos no século XIX assumam uma posição doutrinária e interpretativa tão central para uma denominação.


6. A IGREJA ADVENTISTA COMO O “REMANESCENTE”

Outro elemento importante da teologia adventista é sua compreensão da Igreja Remanescente.

A crença fundamental nº 13 afirma que, nos últimos dias, um remanescente é chamado para proclamar o juízo de Deus e as mensagens dos três anjos de Apocalipse 14.[22]

Ainda mais explicitamente, a Declaração de Missão da Conferência Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia afirma:

“A Igreja Adventista do Sétimo Dia vê a si mesma como a igreja remanescente da profecia bíblica do tempo do fim.”[23]

A literatura teológica adventista reconhece que o conceito de remanescente constitui um dos elementos centrais da identidade e missão denominacional.[24]

É necessário reconhecer também que a IASD não afirma oficialmente que apenas seus membros possam ser salvos.

Sua crença sobre a Igreja declara que a igreja universal é composta por todos aqueles que verdadeiramente creem em Cristo.[25]

A dificuldade está na associação entre o remanescente escatológico de Apocalipse e elementos distintivamente adventistas:

  • proclamação especial das três mensagens angélicas;
  • juízo iniciado em 1844;
  • guarda do sábado;
  • missão escatológica da IASD;
  • manifestação do dom profético em Ellen White.

O Novo Testamento, entretanto, define a Igreja primordialmente pela união dos crentes com Cristo:

“Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo.”

(1 Coríntios 12:13)

Paulo declara igualmente:

“Há somente um corpo e um Espírito [...] um só Senhor, uma só fé, um só batismo.”

(Efésios 4:4-5)

Não existe no Novo Testamento uma indicação explícita de que, no século XIX, surgiria uma denominação particular que deveria ser identificada institucionalmente como o remanescente escatológico.


7. SATANÁS E O BODE EMISSÁRIO DE LEVÍTICO 16

Esta é uma das interpretações mais peculiares da teologia adventista.

Ellen G. White ensinou que o bode emissário do Dia da Expiação representava Satanás.

Em seu sistema escatológico, depois que Cristo concluísse sua obra no santuário celestial, os pecados do povo de Deus seriam colocados sobre Satanás, que sofreria finalmente por sua responsabilidade como originador do pecado.[26]

Em outro texto, White afirma que Cristo colocará esses pecados sobre Satanás, descrito como originador e instigador do pecado.[27]

A própria revista adventista Ministry reconhece que Ellen White consistentemente aplicava o símbolo do bode emissário escatologicamente a Satanás.[28]

É importante representar corretamente a posição adventista.

Os adventistas não ensinam que Satanás realiza a expiação salvadora no lugar de Cristo.

Eles afirmam que somente Cristo salva e que Satanás recebe posteriormente a responsabilidade pelos pecados que instigou.

Contudo, permanece um problema tipológico significativo.

Isaías afirma:

“O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.”

(Isaías 53:6)

João Batista declarou:

“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”

(João 1:29)

Pedro afirma:

“Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados.”

(1 Pedro 2:24)

O Novo Testamento apresenta Cristo como o portador do pecado.

Por essa razão, muitos intérpretes cristãos entendem os dois bodes de Levítico 16 como aspectos complementares de uma mesma obra expiatória:

  • o bode morto representa a satisfação da penalidade;
  • o bode enviado para longe representa a remoção da culpa.

Ambos encontram seu cumprimento final em Cristo.


8. O SONO DA ALMA

A crença fundamental nº 26 da Igreja Adventista declara:

“Até aquele dia, a morte é um estado inconsciente para todas as pessoas.”[29]

Essa posição é normalmente conhecida como mortalismo cristão, condicionalismo ou, popularmente, “sono da alma”.

O protestantismo histórico majoritário, entretanto, ensina que, embora o corpo aguarde a ressurreição, existe consciência pessoal no estado intermediário.

Paulo afirma:

“Tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor.”

(Filipenses 1:23)

Também:

“Preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor.”

(2 Coríntios 5:8)

Jesus disse ao ladrão arrependido:

“Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.”

(Lucas 23:43)

Em Apocalipse 6:9-10, as almas dos mártires aparecem conscientes, clamando:

“Até quando, ó Soberano Senhor...?”

Hebreus 12:23 faz referência aos:

“espíritos dos justos aperfeiçoados.”

A Confissão de Westminster declara explicitamente que as almas dos homens, depois da morte, “nem morrem nem dormem”, mas retornam imediatamente a Deus, enquanto os corpos aguardam a ressurreição.[30]

Assim, a inconsciência total entre a morte e a ressurreição diverge da posição predominante da ortodoxia protestante histórica.


9. ANIQUILACIONISMO OU EXTINÇÃO FINAL DOS ÍMPIOS

A Igreja Adventista rejeita a doutrina tradicional do tormento consciente eterno.

A crença fundamental nº 27 afirma que, após o milênio, fogo da parte de Deus consumirá os ímpios e purificará a Terra, deixando o universo eternamente livre do pecado e dos pecadores.[31]

Ellen White também escreveu que, depois da execução do juízo, os ímpios seriam destruídos e deixariam de existir.[32]

Entretanto, a interpretação majoritária do cristianismo histórico entende que o Novo Testamento ensina punição consciente e eterna.

Jesus declara:

“E irão estes para o castigo eterno, porém os justos para a vida eterna.”

(Mateus 25:46)

O mesmo adjetivo grego, αἰώνιος — aiōnios, qualifica tanto o castigo quanto a vida.

Apocalipse afirma:

“A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite.”

(Apocalipse 14:11)

E:

“Serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos.”

(Apocalipse 20:10)

A Baptist Faith and Message 2000, declaração doutrinária da Convenção Batista do Sul, afirma que os injustos serão destinados ao inferno, definido como lugar de punição eterna.[33]

As Assembleias de Deus igualmente ensinam oficialmente a punição eterna dos ímpios e rejeitam o aniquilacionismo como sua posição denominacional.[34]

É necessário, contudo, fazer uma observação.

O aniquilacionismo não é exclusivo dos adventistas. Existem teólogos evangélicos não adventistas que defendem formas de imortalidade condicional.

Assim, é mais rigoroso afirmar que o aniquilacionismo adventista contraria a posição historicamente majoritária da Igreja cristã e das principais confissões protestantes, em vez de utilizá-lo isoladamente como prova de que uma pessoa não possa ser cristã.


10. A NATUREZA HUMANA DE CRISTO — UMA DISTINÇÃO HISTÓRICA NECESSÁRIA

Nesse ponto, é necessário corrigir uma acusação frequentemente feita contra o adventismo.

Não é exato afirmar:

“A Igreja Adventista atualmente ensina que Jesus tinha uma natureza moralmente pecaminosa.”

A declaração doutrinária oficial contemporânea afirma que Cristo viveu uma vida sem pecado, morreu por nossos pecados e ressuscitou corporalmente.[35]

O livro adventista Seventh-day Adventists Answer Questions on Doctrine, publicado em 1957, também reuniu declarações de Ellen White insistindo que jamais se deveria atribuir a Cristo corrupção moral ou propensão pecaminosa.[36]

Contudo, existiu — e ainda existe — uma importante discussão interna no adventismo sobre se Cristo assumiu a natureza humana de Adão:

  • antes da queda;
  • ou depois da queda.

Essa controvérsia é conhecida pelas expressões:

  • pré-lapsarianismo;
  • pós-lapsarianismo.

Publicações adventistas reconhecem historicamente a existência dessas duas interpretações.[37]

Alguns autores adventistas antigos utilizaram expressões como “natureza caída” ou até “natureza pecaminosa” ao descrever a humanidade assumida por Cristo, mas geralmente insistiam simultaneamente que Jesus jamais cometeu pecado.

Portanto, é legítimo estudar a controvérsia histórica, mas não é correto apresentar como doutrina oficial atual da IASD a ideia de que Cristo fosse moralmente corrompido.


11. USOS, COSTUMES E REGRAS EXTRABÍBLICAS ELEVADAS A PADRÕES DE CONDUTA CRISTÃ

Além das doutrinas teológicas examinadas anteriormente, o adventismo desenvolveu ao longo de sua história um conjunto de regras alimentares, sanitárias, comportamentais e sociais que merece análise separada.

Nem toda orientação sobre alimentação, vestimenta ou saúde constitui, por si mesma, heresia. Um cristão pode livremente decidir não consumir café, não comer carne, não usar joias ou evitar determinadas formas de entretenimento.

O problema começa quando uma preferência pessoal, recomendação de saúde ou interpretação particular é elevada à condição de princípio religioso estabelecido por Deus, especialmente quando não existe mandamento correspondente na Nova Aliança.

Paulo adverte precisamente contra a transformação de determinadas práticas ascéticas em normas espirituais:

“Por que [...] vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro [...] segundo os preceitos e doutrinas dos homens?”

Colossenses 2:20-22

Também ensina:

“Quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come.”

Romanos 14:3

Portanto, deve-se distinguir entre temperança cristã, que é bíblica, e a criação de novos mandamentos religiosos onde as Escrituras concedem liberdade.


11.1. A PROIBIÇÃO DA CARNE DE PORCO E O RETORNO ÀS LEIS ALIMENTARES MOSAICAS

A posição atual da Igreja Adventista do Sétimo Dia determina que seus membros se abstenham dos alimentos considerados “impuros” nas Escrituras, utilizando especialmente Levítico 11 como referência.[42]

Isso inclui a carne de porco.

Curiosamente, essa posição não foi unanimemente aceita pelos primeiros adventistas.

A própria Encyclopedia of Seventh-day Adventists registra que James White, em 1850, rejeitava a ideia de que a utilização apropriada da carne de porco fosse pecado na dispensação cristã. A incorporação explícita da abstinência dos alimentos “impuros” às Crenças Fundamentais ocorreu apenas no século XX, na formulação aprovada em 1980.[43]

Ellen G. White, entretanto, passou a condenar fortemente o consumo de carne suína.

Em Conselhos Sobre o Regime Alimentar, declarou que o porco nunca teria sido destinado por Deus à alimentação humana e afirmou que:

“Nunca, sob nenhuma circunstância, devia sua carne ser ingerida.”[44]

Ela associou ainda seu consumo a doenças, sangue impuro e outros prejuízos físicos.

O problema neotestamentário

A questão não é se a carne de porco fazia parte dos alimentos proibidos aos israelitas.

Fazia.

Levítico 11:7-8 é explícito.

A questão é outra:

as leis alimentares cerimoniais dadas a Israel continuam obrigatórias aos cristãos da Nova Aliança?

Jesus declarou:

“Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar.”

Marcos 7:15

Marcos acrescenta:

“Com isto, declarou puros todos os alimentos.”

Marcos 7:19

Paulo afirma:

“Eu sei e estou persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesma impura.”

Romanos 14:14

E ainda:

“Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida.”

Colossenses 2:16

Paulo chega a advertir contra aqueles que ordenariam:

“a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis.”

1 Timóteo 4:3

E conclui:

“Pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada deve ser rejeitado.”

1 Timóteo 4:4

A interpretação protestante histórica entende que as leis cerimoniais de Israel encontraram seu cumprimento em Cristo.

A Confissão de Fé de Westminster, capítulo XIX.3, declara expressamente que as leis cerimoniais dadas a Israel foram ab-rogadas sob a Nova Aliança.[45]

A Confissão Batista de Londres de 1689 ensina essencialmente a mesma coisa.[46]

Consequentemente, um cristão pode deixar de comer carne de porco por gosto, saúde ou consciência.

O que não se pode demonstrar claramente a partir do Novo Testamento é que todo cristão esteja religiosamente obrigado a observar a classificação alimentar levítica como norma da Nova Aliança.


11.2. CAFÉ E CHÁ TRANSFORMADOS EM QUESTÃO ESPIRITUAL

Outro elemento particularmente característico da tradição adventista é a rejeição do café e do chá cafeinado.

O site oficial da Igreja Adventista atualmente afirma que os adventistas desencorajam o consumo de cafeína e de outros estimulantes.[47]

Ellen White foi consideravelmente mais categórica.

Em seus escritos sobre alimentação declarou que chá e café continham venenos, que deveriam ser rejeitados e que o cristão deveria abandonar essas bebidas.[48]

Em outra passagem, relacionou alimentação, café e chá diretamente à santificação, afirmando que aqueles que receberam a “luz” da reforma de saúde deveriam renunciar a essas práticas antes que o povo de Deus pudesse ser apresentado diante dele perfeito.[49]

Aqui surge um problema fundamental de autoridade.

Onde a Bíblia proíbe café?

Não existe versículo bíblico que proíba:

  • café;
  • cafeína;
  • chá;
  • cacau;
  • chocolate;
  • ou outras bebidas simplesmente por possuírem efeito estimulante.

Isso não significa que qualquer quantidade de cafeína seja necessariamente saudável.

O cristão deve aplicar princípios como:

“Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.”

1 Coríntios 6:12

E:

“Quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.”

1 Coríntios 10:31

Portanto, dependência, excesso ou consumo prejudicial podem perfeitamente tornar-se problemas morais.

Mas isso é diferente de declarar determinada bebida espiritualmente proibida para todos os cristãos sem existir mandamento bíblico correspondente.

Nesse ponto, uma orientação de saúde desenvolvida no século XIX corre o risco de tornar-se uma espécie de mandamento religioso extrabíblico.


11.3. ELLEN WHITE E A REJEIÇÃO HISTÓRICA DOS “REMÉDIOS”

Este assunto deve ser apresentado com especial precisão.

É comum ouvir:

“Os adventistas são proibidos de tomar remédios.”

Essa afirmação não é correta acerca da Igreja Adventista contemporânea.

A IASD mantém atualmente hospitais, universidades médicas, médicos, enfermeiros e centenas de instituições de saúde que utilizam medicina científica e farmacologia moderna.[50]

A própria Ellen White aceitou, em determinadas circunstâncias:

  • vacinação;
  • transfusão de sangue;
  • tratamentos por raios X.[51]

Portanto, não seria correto apresentar o adventismo atual como movimento contrário à medicina.

O problema histórico

Entretanto, encontram-se nos escritos de Ellen White declarações extremamente severas contra aquilo que ela chamava de drug medication.

Em Medical Ministry, afirmou:

“Drug medication is to be discarded.”

Em Selected Messages, encontra-se ainda a orientação de que o médico deveria reduzir progressivamente os medicamentos até finalmente deixar de administrá-los.[52]

Ela também escreveu que determinadas drogas destruíam as forças vitais e recomendou que sanatórios tratassem os enfermos prioritariamente mediante:

  • água;
  • alimentação;
  • ar puro;
  • repouso;
  • exercício;
  • tratamentos naturais.

É necessário lembrar o contexto histórico.

A medicina norte-americana do século XIX utilizava substâncias e métodos que hoje seriam considerados extremamente perigosos, incluindo:

  • mercúrio;
  • calomel;
  • arsênico;
  • ópio;
  • estricnina;
  • sangrias;
  • purgativos agressivos.

A própria historiografia adventista contemporânea reconhece esse contexto e observa que a oposição inicial de Ellen White à “drug medication” ocorreu em uma época em que boa parte da chamada medicina heroica efetivamente empregava tratamentos tóxicos.[53]

Portanto, a crítica mais rigorosa não deve ser:

“Ellen White mandou seus seguidores nunca tomarem qualquer medicamento moderno.”

Isso seria anacrônico.

A questão mais séria é outra:

até que ponto opiniões médicas condicionadas pelo conhecimento do século XIX poderiam ser apresentadas como “luz dada por Deus” e, consequentemente, adquirir autoridade religiosa?

Esse é novamente o problema da autoridade profética de Ellen White.


11.4. O USO DE JOIAS COMO VIOLAÇÃO DA VONTADE DE DEUS

Esse é outro exemplo ainda presente oficialmente.

O Manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia, edição de 2022, afirma que o uso de joias ornamentais é contrário à vontade de Deus e recomenda que os membros se abstenham de sua utilização.[54]

A modéstia cristã é claramente bíblica.

Paulo ensina:

“Da mesma sorte, que as mulheres, em traje decente, se ataviem com modéstia e bom senso, não com cabeleira frisada e com ouro, ou pérolas, ou vestuário dispendioso.”

1 Timóteo 2:9

Pedro apresenta princípio semelhante:

“Não seja o adorno da esposa o que é exterior [...] mas o homem interior do coração.”

1 Pedro 3:3-4

O problema está em transformar a condenação à ostentação em proibição absoluta de qualquer ornamento.

A própria Bíblia apresenta adornos em contextos não pecaminosos.

Em Ezequiel 16, Deus utiliza a figura de adornar Jerusalém:

“Também te adornei com enfeites, e te pus braceletes nas mãos e colar à roda do pescoço.”

Ezequiel 16:11

Na parábola do filho pródigo, o pai ordena:

“Ponde-lhe um anel no dedo.”

Lucas 15:22

Rebeca recebeu joias como parte dos presentes relacionados ao seu casamento com Isaque:

Gênesis 24:22, 47, 53.

Assim, os textos apostólicos condenam mais naturalmente luxo, ostentação, vaidade e uso da aparência como fonte de identidade, e não necessariamente a existência material de todo e qualquer adorno.

A proibição absoluta é, portanto, uma interpretação denominacional mais restritiva que o texto bíblico propriamente dito.


11.5. DANÇA COMO “ESCOLA DE DEPRAVAÇÃO”

O atual Manual da Igreja Adventista também conserva uma posição particularmente severa em relação à dança social.

O manual reproduz uma declaração de Ellen White classificando a dança social como uma:

“escola de depravação”.

E a apresenta como forma de entretenimento de influência maligna.[55]

Novamente, é necessário distinguir.

Há danças evidentemente:

  • sexualizadas;
  • lascivas;
  • associadas à embriaguez;
  • destinadas a provocar sensualidade.

Essas podem perfeitamente ser incompatíveis com a ética cristã.

Mas a Bíblia não ensina que todo ato de dançar seja intrinsecamente pecaminoso.

Davi:

“dançava com todas as suas forças diante do Senhor.”

2 Samuel 6:14

O salmista ordena:

“Louvem-lhe o nome com danças.”

Salmo 149:3

E:

“Louvai-o com adufes e danças.”

Salmo 150:4

A própria distinção bíblica demonstra que a moralidade da dança depende de:

  • contexto;
  • intenção;
  • conteúdo;
  • sensualidade;
  • ambiente.

Classificar genericamente a dança como “escola de depravação” vai, portanto, além daquilo que as Escrituras permitem afirmar universalmente.


11.6. ENTRETENIMENTO, TEATRO, ÓPERA E OUTRAS RESTRIÇÕES

O Manual Adventista de 2022 ainda reproduz advertências de Ellen White segundo as quais Satanás utilizaria:

  • drama;
  • ópera;
  • baile;
  • jogos de cartas;

para romper barreiras morais e conduzir à sensualidade.[56]

É perfeitamente legítimo que cristãos exerçam discernimento acerca do entretenimento.

Filipenses 4:8 fornece um excelente princípio:

“Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro [...] seja isso o que ocupe o vosso pensamento.”

Entretanto, novamente existe diferença entre dizer:

“Algumas obras teatrais, filmes, músicas ou danças são imorais”

e declarar:

“Teatro, drama, ópera ou determinada forma artística é intrinsecamente instrumento de Satanás.”

A primeira afirmação pode ser sustentada biblicamente dependendo do conteúdo.

A segunda exige demonstração que as Escrituras não fornecem.


12. DECLARAÇÕES RACIAIS PROBLEMÁTICAS DE ELLEN G. WHITE

Este assunto não deveria ser colocado simplesmente entre “usos e costumes”.

Ele merece uma seção própria, principalmente porque Ellen White é oficialmente reconhecida pela IASD como alguém cujo ministério manifestou o dom profético.

Também é fundamental registrar desde o início que a Igreja Adventista contemporânea condena oficialmente o racismo e afirma a igualdade entre todas as raças.[57]

Ellen White igualmente escreveu, em outras ocasiões, que negros e brancos eram iguais diante de Deus, condenou maus-tratos contra negros e afirmou que pessoas negras deveriam ser tratadas com o mesmo respeito que pessoas brancas.[58]

Esses fatos precisam ser mencionados.

Contudo, existem também declarações historicamente muito problemáticas.


12.1. “Os negros não devem insistir em igualdade com os brancos”

Em Testimonies for the Church, volume 9, página 214, Ellen White escreveu:

“The colored people should not urge that they be placed on an equality with white people.”[59]

Em português:

“As pessoas de cor não devem insistir em ser colocadas em igualdade com os brancos.”

O contexto mostra que White estava preocupada com a forte segregação racial existente no sul dos Estados Unidos e temia que confrontar diretamente o racismo impedisse o trabalho missionário adventista entre os brancos.

Ela também aconselhou, naquele contexto, que trabalhadores brancos trabalhassem principalmente entre brancos e trabalhadores negros entre negros.[60]

A defesa adventista sustenta, portanto, que sua motivação não era afirmar inferioridade racial, mas adotar uma estratégia pragmática diante da violência e do preconceito existentes.

Essa explicação histórica deve ser registrada.

Entretanto, continua existindo uma pergunta inevitável:

pode uma orientação atribuída à inspiração divina recomendar que vítimas de discriminação não reivindiquem igualdade racial para evitar desagradar aos racistas?

Especialmente diante do ensino bíblico:

“De um só fez toda a raça humana.”

Atos 17:26

E:

“Não pode haver judeu nem grego [...] porque todos vós sois um em Cristo Jesus.”

Gálatas 3:28


12.2. A OPOSIÇÃO DE ELLEN WHITE AO CASAMENTO INTERRACIAL

Em 1912, Ellen White recebeu uma pergunta sobre casamento entre cristãos negros e brancos.

Sua resposta foi inequívoca quanto à recomendação prática.

Ela escreveu que:

“No encouragement to marriages of this character should be given among our people.”[61]

Ou seja:

“Nenhum encorajamento deve ser dado, entre nosso povo, a casamentos desse caráter.”

Ela aconselhou que uma pessoa negra se casasse com outra pessoa negra e que uma mulher branca que considerasse casar-se com um homem negro desistisse do casamento.

White justificou sua posição principalmente pelas dificuldades sociais, controvérsia, humilhação e sofrimento que os filhos de casamentos inter-raciais enfrentariam naquela sociedade.

Os depositários dos escritos de Ellen White ressaltam que ela simultaneamente afirmava a igualdade espiritual entre negros e brancos e que sua recomendação teria sido pragmática, não baseada em inferioridade biológica.[62]

Mesmo concedendo esse contexto, entretanto, a orientação permanece problemática à luz da Escritura.

A Bíblia estabelece critérios para o casamento cristão como:

“somente no Senhor.”

1 Coríntios 7:39

Não estabelece:

  • casamento somente dentro da mesma cor de pele;
  • casamento somente dentro da mesma etnia.

Moisés casou-se com uma mulher cuxita, e quando Miriã e Arão murmuraram contra ele, o texto não apresenta o casamento interracial como pecado:

Números 12:1-10.

Portanto, transformar a raça em obstáculo religioso ao casamento cristão não encontra mandamento correspondente na Nova Aliança.


12.3. A POLÊMICA DECLARAÇÃO SOBRE “AMALGAMAÇÃO” E “CERTAS RAÇAS DE HOMENS”

Existe ainda uma declaração extremamente controversa publicada por Ellen White em Spiritual Gifts, volume 3.

Ao falar do período anterior e posterior ao Dilúvio, escreveu sobre uma “amalgamação” e afirmou que seus resultados podiam ser vistos:

“in certain races of men.”[63]

Isto é:

“em certas raças de homens.”

Em outra passagem da mesma obra utilizou a expressão “amalgamation of man and beast”.

Essa formulação posteriormente gerou acusações de que White teria ensinado algum tipo de cruzamento entre seres humanos e animais e relacionado determinadas raças humanas a esse processo.

É preciso cautela

Não existe consenso nem mesmo entre estudiosos adventistas acerca do significado exato dessas frases.

O material do Ellen G. White Estate apresenta diferentes possibilidades interpretativas para o termo amalgamation e rejeita a conclusão de que White estivesse classificando negros como parcialmente animais.[64]

Além disso, a expressão foi omitida quando o mesmo material foi posteriormente retrabalhado para Patriarcas e Profetas.

Portanto, não seria responsável afirmar categoricamente:

“Ellen White ensinou que negros eram cruzamentos de homens com animais.”

A documentação disponível não permite provar isso de maneira inequívoca.

A crítica mais segura é:

uma autora considerada profetisa inspirada utilizou linguagem antropológica extremamente obscura e problemática, ligando “amalgamação” a “certas raças de homens”, e nunca deixou uma explicação suficientemente clara do que pretendia afirmar.

Isso por si só merece análise quando seus escritos recebem “autoridade profética”.


12.4. O CONTRASTE ENTRE OS TEXTOS

O quadro histórico de Ellen White sobre raça não é simples.

Ela escreveu afirmações que, para os padrões atuais, são profundamente problemáticas:

  • aconselhou negros a não exigirem igualdade social em determinadas circunstâncias;
  • recomendou separação racial prática no trabalho missionário do sul dos Estados Unidos;
  • aconselhou contra casamentos entre negros e brancos;
  • utilizou a obscura expressão “amalgamação” relacionada a “certas raças de homens”.

Ao mesmo tempo, também:

  • denunciou a escravidão;
  • condenou o preconceito racial;
  • afirmou que negros e brancos eram iguais perante Deus;
  • exigiu que negros fossem admitidos como membros da igreja;
  • censurou cristãos que desprezavam pessoas negras.[65]

Portanto, uma investigação historicamente séria deve apresentar os dois conjuntos de evidências.

Isso evita exageros e torna a pergunta apologética mais forte:

Como declarações racialmente condicionadas pelo ambiente norte-americano dos séculos XIX e XX devem ser avaliadas quando a autora afirmava receber determinadas orientações diretamente de Deus e seus escritos ainda são reconhecidos como possuindo “autoridade profética”?

Essa é uma questão muito mais difícil de responder do que simplesmente acusá-la de racismo sem contexto.


13. O PROBLEMA TEOLÓGICO COMUM: QUANDO CONSELHO HUMANO SE TORNA MANDAMENTO DIVINO

Café, carne de porco, medicamentos, joias, dança e determinadas formas de entretenimento não possuem exatamente o mesmo peso teológico.

Alguns são questões de saúde.

Outros são aplicações de princípios bíblicos.

Outros derivam de interpretações particulares do Antigo Testamento.

Entretanto, existe um padrão que merece atenção:

orientações produzidas em determinado contexto histórico podem adquirir peso religioso extraordinário quando atribuídas a uma pessoa considerada profetisa.

O problema não está em alguém dizer:

“Eu não tomo café porque me faz mal.”

Isso é liberdade.

Nem:

“Eu prefiro não usar joias.”

Isso também é liberdade.

Nem:

“Por razões de saúde, decidi não comer carne.”

Novamente, liberdade cristã.

O problema surge quando se diz:

“Deus revelou que o cristão não deve fazer isso.”

Nesse momento a pergunta obrigatória é:

Onde está escrito?

Jesus repreendeu precisamente a transformação de tradições humanas em mandamentos religiosos:

“Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.”

Mateus 15:9

Paulo advertiu:

“Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético.”

Colossenses 2:23

E estabeleceu um princípio essencial de liberdade cristã:

“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão.”

Gálatas 5:1

A reforma de saúde pode conter conselhos prudentes.

A modéstia é uma virtude bíblica.

A temperança é bíblica.

O domínio próprio é fruto do Espírito.

Mas nenhuma autoridade humana possui o direito de criar novos pecados que Deus não chamou de pecado.


NOTAS

[1] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Fundamental Beliefs of the Seventh-day Adventist Church. Ver especialmente as crenças “The Trinity”, “The Son”, “The Life, Death, and Resurrection of Christ” e “The Experience of Salvation”. Documentos doutrinários oficiais da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

[2] HOEKEMA, Anthony A. The Four Major Cults: Christian Science, Jehovah's Witnesses, Mormonism, Seventh-day Adventism. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1963. Ver especialmente a parte dedicada ao Seventh-day Adventism.

[3] MARTIN, Walter R. The Truth About Seventh-day Adventism. Grand Rapids: Zondervan, 1960. Ver também MARTIN, Walter R. The Kingdom of the Cults. Martin distinguiu os adventistas de grupos que negam doutrinas cristãs fundamentais, embora continuasse criticando aquilo que denominava suas posições heterodoxas.

[4] BARNHOUSE, Donald Grey. “Are Seventh-day Adventists Christians?”. Eternity Magazine, setembro de 1956. O artigo foi publicado após os diálogos entre representantes evangélicos e adventistas ocorridos na década de 1950.

[5] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Fundamental Belief No. 24: Christ's Ministry in the Heavenly Sanctuary. A declaração oficial relaciona explicitamente o ano de 1844 ao início da segunda e última fase do ministério celestial de Cristo e ao chamado juízo investigativo.

[6] SEVENTH-DAY ADVENTIST CHURCH. Materiais oficiais sobre a história denominacional, especialmente os relatos referentes a William Miller, ao movimento milerita e ao Great Disappointment de 22 de outubro de 1844.

[7] ENCYCLOPEDIA OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Verbete dedicado a Hiram Edson. O material registra o relato posterior de Edson a respeito de sua compreensão do santuário celestial no dia seguinte ao Grande Desapontamento.

[8] WHITE, Ellen G. The Great Controversy Between Christ and Satan [O Grande Conflito]. Ver especialmente os capítulos “What Is the Sanctuary?” e “In the Holy of Holies”. White relaciona o término dos 2.300 dias à entrada de Cristo em uma nova fase de seu ministério no santuário celestial.

[9] Cf. comentários evangélicos conservadores sobre Daniel 8 e estudos histórico-exegéticos relacionados a Antíoco IV Epifânio, à profanação do templo de Jerusalém e à revolta dos Macabeus. A identificação de Antíoco como referente histórico imediato do pequeno chifre de Daniel 8 possui longa tradição interpretativa anterior ao adventismo.

[10] HOEKEMA, Anthony A. The Four Major Cults, seção referente à doutrina adventista do santuário e do juízo investigativo. Hoekema argumenta que a doutrina surgiu como reinterpretação posterior do fracasso da expectativa de 1844 e não possui precedente correspondente na tradição cristã histórica.

[11] WESTMINSTER ASSEMBLY. The Westminster Confession of Faith, cap. VIII, especialmente as seções relativas à obra mediadora e ao sacrifício de Cristo oferecido uma única vez para satisfazer a justiça divina e adquirir reconciliação.

[12] WHITE, Ellen G. The Great Controversy [O Grande Conflito], capítulos referentes ao conflito final entre o sábado e o domingo. White relaciona a futura imposição da observância dominical à marca da besta.

[13] WHITE, Ellen G. The Great Controversy. Passagens relativas ao “seal of God”, nas quais o sábado é descrito como sinal ou selo da autoridade divina no conflito escatológico.

[14] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Fundamental Belief No. 20: The Sabbath. A declaração apresenta o sábado do sétimo dia como memorial da criação, dia de comunhão, sinal da aliança e expressão da lealdade do crente a Deus.

[15] IGNATIUS OF ANTIOCH. Epistle to the Magnesians, cap. 9. Documento cristão do início do século II. A passagem faz referência ao “Dia do Senhor” em contraste com práticas próprias da antiga ordem judaica.

[16] Didache ou The Teaching of the Twelve Apostles, cap. 14. Documento cristão primitivo no qual os fiéis são instruídos a reunir-se no Dia do Senhor para partir o pão e dar graças.

[17] JUSTIN MARTYR. First Apology, cap. 67. Escrito aproximadamente em meados do século II. Justino descreve detalhadamente a reunião dominical dos cristãos, incluindo leitura das Escrituras, exposição, oração, Ceia e ofertas.

[18] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Fundamental Belief No. 18: The Gift of Prophecy. O documento afirma que o dom de profecia foi manifestado no ministério de Ellen G. White e declara que seus escritos possuem “autoridade profética”, embora apresente a Bíblia como norma final de avaliação.

[19] WESTMINSTER ASSEMBLY. The Westminster Confession of Faith, cap. I, “Of the Holy Scripture”, especialmente as seções referentes à suficiência das Escrituras e à conclusão da revelação normativa.

[20] LAUSANNE MOVEMENT. The Lausanne Covenant, 1974, seção 2, “The Authority and Power of the Bible”. Documento evangélico internacional que afirma a autoridade, inspiração e suficiência normativa das Escrituras.

[21] GENERAL COUNCIL OF THE ASSEMBLIES OF GOD. Statement of Fundamental Truths, seção inicial referente às Escrituras Inspiradas. A declaração define a Bíblia como regra infalível e autoritativa de fé e conduta e como regra plenamente suficiente de fé e prática.

[22] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Fundamental Belief No. 13: The Remnant and Its Mission. A crença relaciona o remanescente do tempo do fim à proclamação das mensagens dos três anjos de Apocalipse 14.

[23] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Mission Statement of the Seventh-day Adventist Church. Declaração adotada pela Conferência Geral na qual a denominação afirma compreender-se como a igreja remanescente da profecia bíblica do tempo do fim.

[24] BIBLICAL RESEARCH INSTITUTE, General Conference of Seventh-day Adventists. Estudos teológicos sobre The Remnant and the Seventh-day Adventist Church. O conceito de remanescente é apresentado como elemento central da identidade e missão adventistas.

[25] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Fundamental Belief No. 12: The Church. A declaração reconhece a Igreja como comunidade dos crentes que confessam Jesus Cristo como Senhor e Salvador.

[26] WHITE, Ellen G. The Great Controversy, seções referentes ao Dia da Expiação, encerramento do ministério de Cristo e bode emissário. White identifica o bode para Azazel com Satanás em sua aplicação escatológica.

[27] WHITE, Ellen G. The Great Controversy. Passagens nas quais afirma que, após o encerramento da obra sacerdotal de Cristo, os pecados serão colocados sobre Satanás, descrito como originador e instigador do pecado.

[28] MINISTRY: International Journal for Pastors. Artigos adventistas sobre “The Scapegoat in the Writings of Ellen G. White”. A literatura reconhece a consistente identificação de Satanás com o bode emissário na interpretação de White.

[29] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Fundamental Belief No. 26: Death and Resurrection. A declaração ensina que a morte permanece um estado inconsciente para todas as pessoas até a ressurreição.

[30] WESTMINSTER ASSEMBLY. Westminster Confession of Faith, cap. XXXII, “Of the State of Men after Death, and of the Resurrection of the Dead”. A confissão afirma que as almas não morrem nem dormem, mas retornam imediatamente a Deus.

[31] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Fundamental Belief No. 27: The Millennium and the End of Sin. O texto declara que, ao final, fogo da parte de Deus consumirá os ímpios e purificará a Terra.

[32] WHITE, Ellen G. The Great Controversy, capítulos finais referentes à destruição dos ímpios e à renovação da Terra.

[33] SOUTHERN BAPTIST CONVENTION. The Baptist Faith and Message 2000, art. X, “Last Things”. A declaração afirma a ressurreição e o julgamento final, seguido da destinação dos injustos ao inferno, definido como lugar de punição eterna.

[34] GENERAL COUNCIL OF THE ASSEMBLIES OF GOD. Statement of Fundamental Truths, seção relativa ao julgamento final e à punição eterna dos ímpios. Ver também documentos doutrinários oficiais da denominação tratando da imortalidade condicional e do aniquilacionismo.

[35] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Fundamental Beliefs. Ver especialmente “The Son” e “The Life, Death, and Resurrection of Christ”. As declarações oficiais afirmam a plena divindade de Cristo, sua verdadeira humanidade e sua vida sem pecado.

[36] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Seventh-day Adventists Answer Questions on Doctrine. Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Association, 1957. Ver a discussão acerca da natureza humana assumida por Cristo e as citações de Ellen G. White reunidas pelos autores.

[37] MINISTRY MAGAZINE; BIBLICAL RESEARCH INSTITUTE. Estudos históricos sobre a controvérsia adventista referente à natureza humana de Cristo, frequentemente descrita em termos de interpretações pré-lapsariana e pós-lapsariana. Ver particularmente os estudos produzidos em torno da controvérsia de Questions on Doctrine.

[38] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Fundamental Belief No. 19: The Law of God. O texto afirma a continuidade dos grandes princípios da Lei de Deus e simultaneamente declara que a salvação é inteiramente pela graça e não pelas obras.

[39] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Fundamental Beliefs of the Seventh-day Adventist Church, especialmente as crenças referentes à Trindade, ao Filho, à salvação, à Igreja, ao dom de profecia e à morte e ressurreição de Cristo.

[40] HOEKEMA, Anthony A. The Four Major Cults: Christian Science, Jehovah's Witnesses, Mormonism, Seventh-day Adventism. Grand Rapids: Eerdmans, 1963.

[41] MARTIN, Walter R. The Truth About Seventh-day Adventism. Grand Rapids: Zondervan, 1960; BARNHOUSE, Donald Grey. “Are Seventh-day Adventists Christians?”. Eternity Magazine, setembro de 1956.

NOTAS COMPLEMENTARES

[42] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Fundamental Belief No. 22: Christian Behavior. A declaração oficial determina a adoção da dieta mais saudável possível e a abstinência dos alimentos classificados como impuros nas Escrituras, citando explicitamente Levítico 11.

[43] ENCYCLOPEDIA OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. “Clean and Unclean (Leviticus 11)”. O estudo registra que a abstinência de alimentos impuros foi explicitamente incorporada às Crenças Fundamentais aprovadas em 1980 e documenta a posição anterior de James White, em 1850, segundo a qual o uso adequado da carne suína não deveria ser considerado pecado na dispensação cristã.

[44] WHITE, Ellen G. Counsels on Diet and Foods [Conselhos Sobre o Regime Alimentar], p. 392; cf. The Ministry of Healing, pp. 313-314. White declara a carne suína imprópria para alimentação humana e sustenta que não deveria ser ingerida “sob quaisquer circunstâncias”.

[45] WESTMINSTER ASSEMBLY. Westminster Confession of Faith, XIX.3. A confissão declara que as leis cerimoniais dadas a Israel foram ab-rogadas sob o Novo Testamento.

[46] Second London Baptist Confession of Faith (1689), XIX.3. A Confissão Batista igualmente declara que as leis cerimoniais foram removidas por Cristo.

[47] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. “Why Whole-person Health is Important to Seventh-day Adventists”. A página oficial afirma que os adventistas desencorajam cafeína e outros estimulantes.

[48] WHITE, Ellen G. Counsels on Diet and Foods [Conselhos Sobre o Regime Alimentar], pp. 421-422; materiais originalmente publicados em Review and Herald, 1884 e 1888, Testimonies, vol. 2, e manuscritos posteriores. White classifica chá e café como estimulantes prejudiciais e recomenda sua rejeição.

[49] WHITE, Ellen G. Counsels on Diet and Foods, seção “Reasons for Reform” [“Razões para Reforma”]. White associa a renúncia a carnes, chá e café à reforma espiritual do “povo remanescente”.

[50] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. “What We Do — Healthcare”. A denominação informa manter uma extensa rede internacional de instituições médicas e hospitalares, tornando incorreta a afirmação de que a IASD contemporânea rejeita a medicina.

[51] WHITE, Ellen G. Selected Messages, livro 2, pp. 303-304. A compilação registra aprovação de transfusão de sangue, vacinação contra varíola — segundo testemunho de seu secretário D. E. Robinson — e tratamento por raios X realizado pela própria Ellen White.

[52] WHITE, Ellen G. Medical Ministry, pp. 227-229; Selected Messages, livro 2, pp. 280-284. Nessas passagens aparecem severas advertências contra drug medication e o ideal de reduzir ou abandonar medicamentos considerados venenosos.

[53] CAMPBELL, Michael W. “Ellen White and Modern Medicine”. Adventist Review, 3 jan. 2017. O estudo adventista contextualiza as advertências médicas de White no ambiente da medicina “heroica” do século XIX, que utilizava substâncias como mercúrio, ópio e outros agentes tóxicos.

[54] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Seventh-day Adventist Church Manual, edição revisada de 2022, seção “Dress”, p. 159 na edição inglesa disponibilizada pela Conferência Geral. O manual afirma que o uso ornamental de joias é contrário à vontade de Deus, permitindo exceções culturais para a aliança de casamento.

[55] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Seventh-day Adventist Church Manual, 2022, seção “Recreation and Entertainment”, p. 155\. O manual reproduz a afirmação de Ellen White que caracteriza a dança social como “school of depravity”.

[56] Ibid. O mesmo capítulo reproduz advertências de Ellen White contra drama, ópera, baile e jogos de cartas, apresentados como meios pelos quais Satanás poderia romper as barreiras do princípio moral.

[57] GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Human Relations, declaração oficial, 1995. A IASD contemporânea declara condenar todas as formas de discriminação por raça, nacionalidade ou cor e afirma explicitamente a igualdade de todas as pessoas em Cristo.

[58] WHITE, Ellen G. Manuscrito 7, 1896, “The Treatment of the Colored Race”; cf. Christian Service, pp. 217-218. White condena o preconceito dos brancos, afirma a igualdade de negros e brancos diante de Deus e censura a exclusão de negros dos locais de culto.

[59] WHITE, Ellen G. Testimonies for the Church, vol. 9, p. 214.3. Texto original: “The colored people should not urge that they be placed on an equality with white people.”

[60] WHITE, Ellen G. Manuscrito 107, 1908, “The Color Line”, parágrafos 3-9; cf. Testimonies for the Church, vol. 9, pp. 213-215. White recomenda que a questão racial não seja diretamente agitada no Sul e propõe separação prática de parte do trabalho missionário devido ao preconceito existente.

[61] WHITE, Ellen G. Carta 36, 7 ago. 1912; posteriormente publicada em Selected Messages, livro 2, p. 344. White aconselhou contra casamentos entre cristãos brancos e negros e declarou que tais uniões não deveriam ser encorajadas dentro da denominação.

[62] WHITE, Ellen G. Selected Messages, livro 2, capítulo 42. Os editores do Ellen G. White Estate acrescentaram nota sustentando que o conselho deve ser entendido à luz das consequências sociais do preconceito existente, e não como negação da igualdade racial.

[63] WHITE, Ellen G. Spiritual Gifts, vol. 3, pp. 63, 75. White empregou as expressões “amalgamation of man and beast” e, posteriormente, “certain races of men”. As afirmações foram mantidas em uma edição de 1870, mas omitidas quando o material foi reelaborado em Patriarchs and Prophets.

[64] ELLEN G. WHITE ESTATE. Estudos sobre “Amalgamation”. A literatura adventista apresenta diferentes interpretações possíveis da frase e argumenta que o texto não permite concluir que White considerasse determinada raça parcialmente animal.

[65] WHITE, Ellen G. Manuscrito 7, 1896; Christian Service, pp. 217-218. Entre outras declarações, White afirmou que Deus não reconhece distinção de valor por raça e que negros e brancos deveriam ser tratados com igual respeito.

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