O Nascimento de Jesus
Por: Presbítero Luciano Leite | Data: 31 de dezembro de 2020
Texto Base: Mateus 1.18–25
Introdução
Nem sempre o evangelho nos conduzirá a uma vida tranquila. Diferente das propagandas de televisão — que tentam nos convencer de que seus produtos são perfeitos e de que a compra de um carro nos transformará em grandes aventureiros —, a pregação do evangelho não é uma oferta de "vida mansa".
Na verdade, o nascimento de Jesus foi um evento que trouxe medo a muita gente. A começar por Herodes, o rei da Judeia, que fez de tudo para matar o menino. É interessante notar que, nas primeiras vezes em que o Natal foi anunciado por anjos, a mensagem sempre vinha acompanhada de um imperativo: "Não tenha medo!". Foi assim quando o anjo apareceu ao sacerdote Zacarias e, posteriormente, à jovem Maria.
Desenvolvimento
Maria era uma moça que engravidou sem ter tido relações íntimas. Naquela época, isso levantaria muitas suspeitas e era motivo de sobra para que ela temesse. O plano de Deus também não estava deixando a vida de José mais tranquila; pelo contrário, a gravidez de Maria o colocou no centro de uma grande crise. É exatamente por isso que o anjo também precisou dizer a ele: "Não tenha medo!".
Ao analisarmos o texto de Mateus, encontramos quatro verdades fundamentais a respeito do nascimento de Jesus:
1. Jesus nasceu em circunstâncias bem incomuns (v. 18-19)
O nascimento de Cristo é, em sua essência, um milagre gerado pela obra do Espírito Santo. Naquele contexto histórico, o noivado era um contrato de casamento sério, firmado entre as famílias. Maria e José já eram prometidos um ao outro e aguardavam o dia das núpcias. Imagine a situação de José: um homem trabalhador, que se esforçava para construir uma casa e ter condições de receber sua esposa. De repente, Maria começa a manifestar sinais de gravidez.
O que se passou na cabeça de José? Sendo um homem justo, ele decidiu não expô-la ao desprezo público. Muitas vezes, diante da misteriosa providência divina, nós também reagimos com medo e incredulidade. O evangelho nem sempre facilita a nossa vida; por vezes, traz conflitos e dificuldades inéditas. Você planeja tudo, acha que tudo dará certo e, de repente, a vida vira de cabeça para baixo. A confusão e a insegurança de José só mudaram quando ele ouviu a mensagem de Deus e compreendeu o que o Senhor estava fazendo.
2. Jesus nasceu para trazer salvação (v. 20-21)
Enquanto José, com medo e confuso, "ponderava nestas coisas", Deus lhe enviou um anjo. O mensageiro o chama de "José, filho de Davi!" — a única vez em todo o Novo Testamento em que alguém além de Jesus recebe esse título. O anjo estava lembrando José das alianças divinas feitas com sua família, pois Deus havia prometido que um descendente de Davi reinaria para sempre.
Ao dizer "não temas receber Maria, tua mulher", o anjo revela e acalma o coração amedrontado do carpinteiro. Ele explica que a criança não era fruto de traição, mas do Espírito Santo, e que seu propósito era trazer a salvação dos pecados. É fundamental entender isto: não se trata de salvação de situações difíceis ou de sofrimentos terrenos — libertações que costumamos buscar em ideologias, em políticos ou em nós mesmos. A salvação de Jesus vai na raiz do nosso maior problema: o pecado que habita em nós e que nos condena à morte. Ele veio para assumir a nossa dívida e o nosso lugar diante do Pai.
3. Jesus nasceu para cumprir as promessas de Deus (v. 22-23)
Mateus faz questão de mostrar que tudo aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor. Todas as circunstâncias são ordenadas por Deus para atingir os Seus propósitos. A agenda do Senhor está se cumprindo, e ela nem sempre coincide com a nossa.
Embora as pinturas frequentemente retratem um Jesus frágil, pobre e dependente, aquela criança nascida de forma tão incomum não era apenas um futuro carpinteiro da Palestina. Ele é o Filho de Deus, a resposta de redenção e esperança para um mundo caído. Ao compreender isso, José passou a enxergar a situação sob uma nova perspectiva: ele estava diante do Redentor do mundo.
4. O nascimento de Jesus requer uma resposta (v. 24-25)
A revelação celestial não era apenas informativa; ela continha um chamado prático. No versículo 21, o anjo delega a José a missão: "e lhe porás o nome de Jesus". Ao dar o nome à criança, José a assumia como seu filho adotivo, inserindo Jesus legalmente na linhagem de Davi (o que explica por que a genealogia de Mateus foca em José).
José precisou submeter sua própria vontade ao propósito de Deus. O homem que antes sentia medo, agora, compreendendo a soberania divina, aceita o seu chamado e obedece prontamente.
Aplicações
O evangelho é a boa-nova de que Deus enviou Seu Filho para nos salvar dos nossos pecados. Contudo, essa verdade também traz confronto ao mundo. O evangelho levantará oposições, trará dificuldades e nos tirará da zona de conforto, assim como fez com José.
O que devemos fazer quando o medo tentar dominar nosso coração e as circunstâncias fugirem do nosso controle? O texto nos ensina que o próprio Deus está orquestrando todas as coisas. O objetivo final de toda a história é a revelação da glória de Jesus Cristo. Isso nos traz esperança, mesmo quando compreendemos que a agenda de Deus não garante o nosso sucesso terreno ou uma vida livre de dores.
Jesus já resolveu o nosso problema principal e eterno. Portanto, não tenha medo. Não fuja. Não confie em suas próprias estratégias de salvação. Olhe para o que Deus está fazendo e responda ao Seu chamado com fé e prontidão, exatamente como José fez.
Que Deus nos abençoe.

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